Mulheres e DJs, porque não? Elas explicam porquê têm conquistado cada vez mais espaço na cena


Mulheres e DJs, porque não? Elas contam as suas trajetórias, mostram que enfrentam o machismo e seguem com desejo de se expressarem através da musica.

Desconstruindo a concepção de que lugar de mulher é apenas em casa cuidando dos filhos, as mulheres buscam cada vez mais mostrar seus talentos em diversas áreas e uma delas é na musica. Uma forma pela qual podem se expressar, se divertir e disseminar para as demais o poder que tem para ser e fazer o que elas quiserem.

Apesar de nem sempre serem apoiadas e de ainda sofrerem preconceito, elas batem o pé firme e dão a cara a tapa para mostrar o seu valor. No Hip Hop, e principalmente no Rap, não poderia ser diferente. Em um cenário em que o sexo masculino é predominante, elas persistem para ganhar seu espaço e mostrar que sabem o que fazem.


“A cena ainda é muito machista. Tá mudando aos poucos, mais ainda e muito machista, tem muita mina de talento na cidade que só falta espaço e reconhecimento.” (Dj Belle)

E se é na base que o MC precisa guiar sua rima, as minas de Salvador estão mostrando que podem cuidar muito bem das pick ups. A galera do Rap071 trocou uma ideia com três Djs da cena baiana (DJ Belle, DJ Nai Sena e DJ Babi Colzatto) para saber um pouco sobre as suas experiências, como elas veem o cenário de djs femininas e sobre a trajetória de cada uma.

DJ Belle


Vinda do Subúrbio Ferroviário, Especialista em Hip Hop, Trap e Twerk, DJ Belle com seus 21 anos de idade e dois anos como Dj contou que teve seu primeiro contato com o Rap e também com o Reggae na infância através dos seus primos.


Ouvindo nomes de peso como Racionais Mc’s e Facção Central, que gerou no início preconceito por parte da família por julgar o ritmo como musica de “ladrão”, continuou ouvindo até conseguir com o tempo desconstruir esse pensamento mostrado o real sentido das coisas.

“Hoje eles até escutam comigo, vão nos eventos, acompanham direitinho e gostam...”

Quando começou a tocar a sua família não acreditava muito, achava que era apenas um passa tempo. Mas como tempo foram percebendo que ela estava levando a serio, chegou a fazer um curso para Djs como DJ Jarrão e com isso tiveram certeza que não se tratava de algo passageiro, hoje acreditam e apoiam a Belle no que ela precisa.

Na cena feminina, tem com referências a MiraPotira, Cintia Savoli ( participou com elas no Rima Mina nas aulas de freestyle, composição e grafite), e a Nai Sena que também foi aluna de DJ Jarrão.

Falando um pouco das dificuldades encontradas para o surgimento de novas minas como DJs e Mc’s, ela afirma que o maior problema é o espaço e o reconhecimento: mesmo tendo eventos toda semana, de 10 eventos apenas dois têm minas na live.


“Estamos lutando todos os dias para mudar isso, estamos melhores do que ontem mas ainda falta muito para alcançar. Vamos bater de frente, não aceitar o machismo calada e ajudar as minas que precisam de ajuda...”

DJ Nai Sena


Dj Nai Sena, figura atuante no movimento Hip Hop em Salvador, começou a tocar desde os 20 anos de idade. Agora, como ela mesmo diz, já está próxima dos seus 25 verões. Iniciou sua carreira numa oficina ministrada pelo Dj Jarrão em Alto de Coutos.

Fez a oficina sem nenhuma pretensão de virar Dj, apenas para “ter contato com o equipamento, aprender a mixar”. Única mulher em uma turma de 10 alunos, foi ao lado do amigo Danilo (DJ Berlota) os únicos a continuar na carreira de Dj.

Com sets baseados em vertentes da música jamaicana, como raggamunfin, dancehall e reggaeton, ritmos que pesquisa desde sua adolescência, a DJ Nai Sena tem se destacado nas festas em que comanda os toca discos.

Ela conta que teve seu contato com o hip hop em termos de musica Rap através dos seus irmãos e primos, com artistas com Marcelo D2, Planet Hemp, 50cent, Eminem, além de outros estilo que contribuíram para o seu crescimento com no MPB e Rock. referencias como Djavan, Ana Carolina, Raul Seixas, Cazuza, Barão vermelho, The Beatles.


Falando um pouco das suas referencias femininas, ela citou: Karol Conka, Kmila CDD, Carol de Souza, Dina Di, Lauryn Hill, Dj Simone Lasdenas, Dj Tami. Contou também da sua participação no coletivo feito por mulheres o Rima Mina, em que junto com a grafiteira Sista Catia, as Mc’s Sintia Savoli e MiraPotira ministraram oficinas de rima, grafite, freestyle e também de defesa pessoal.


(Foto: Dj Nai Sena e Sista Kátia)

“Eu fico muito feliz quando vejo mulheres dançando quando eu estou tocando, eu imagino que elas se sintam super-representadas, é uma forma de militar dentro do movimento, de ir contra as barreiras impostas pela sociedade, pelo machismo.”

DJ Babi Colzatto

Mais conhecida como Babi Colzatto, sempre teve a musica como uma paixão. Quando criança, teve muita influencia do samba e do axé; já sua adolescência foi marcada pelo hip hop, onde teve o seu primeiro contato como Black music, em meados de 2000 - quando grandes nomes da musica internacional ganharam destaque.


Já com o rap nacional teve contato anos depois no bairro em que mora, Itapuã, ouvindo pela primeira vez o disco do Mv Bill ‘‘Declaração de Guerra’’. Em 2015 teve a oportunidade de ter seu primeiro contato com o os discos em São Paulo, e assim iniciar sua carreira profissional.


“O Rap me interessou pela ideologia, pelas mensagens. Eu realmente gosto de musicas que me fazem pensar, me fazem sentir, mudar de opinião ou mudar uma forma de agir.”

Tem como sua maior referencia o KLJAY, o qual já assistiu diversas apresentações. Mas falando das minas citou Dina Di, Kmila CDD e Negra Li, que são grandes exemplos para a nova geração feminina do Rap.


Sobre as dificuldades ela afirma que “A única dificuldade que você pode encontrar é você mesmo, nada nem ninguém é capaz de impedir você de fazer nada, seja homem seja mulher só depende de você mesmo, e as outras coisas que vão surgir são obstáculos e você vai passando de um a um.”

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