Uneb exibe documentário "SalCity" e movimenta debate sobre hip hop e rap baiano; saiba tud



A Universidade Estadual da Bahia (Uneb) abriu o espaço de debate para colocar a cultura hip hop e o rap dentro da sala de aula. Na última sexta-feira (07/07), o campus do Cabula exibiu o documentário "Salcity", que foi lançado neste ano e traz o depoimento de artistas sobre os obstáculos e as dificuldades enfrentadas na cena soteropolitana.

Após a exibição do documentário produzido pela Marra, o público presente pode participar de uma mesa de debate com alguns dos atores presentes no curta, como: Dark, Cintia Savoli, CTC33, Jhomp, Mobbiu e Opanijé. A conversa rendeu diversos assuntos como o racismo sistêmico, a falta de oportunidades para mulheres no rap, a falta de representatividade negra e os danos das guerras entre facções.

Falando sobre a opressão policial e as consequências das facções criminosas, o rapper Dark lembrou um pouco da sua história até chegar ao rap, quando ele chegou a ser preso. Em uma de suas falas no documentário Salcity, ele afirma que não precisa estar envolvido com "o crime para perder irmãos, perder amigo ou perder parente. Quando eu falo de crime eu tô falando de crime geral. O governo é criminoso, a polícia é criminosa e genocida".

Quando repassado no ambiente acadêmico, exemplos como o de Dark ajudam a quebrar o preconceito contra a música rap e a cultura hip hop. Isso é o que acredita Lázaro - MC do grupo Opanijé e que atua há mais de 20 anos na cena - em conversa com o RAP071 sobre a mesa de debate na Uneb.

- "A partir do momento em que você forma um professor que não tem preconceito com aquele tipo de música que o aluno ouve, aquele professor vai entender o rap como um aliado na formação do educando dele. Vai ser bom para a gente, bom para a comunidade e para a própria expansão do hip hop em Salvador", comenta Lázaro.

- "Foi muito emocionante ouvir de um dos mcs que participou que sua mãe tinha assistido e gostado. Acho que ainda falta muito pra Salvador ter o que merece. Tentei fazer um material pra ajudar na melhora da autoestima, do reconhecimento e do esclarecimento do que está acontecendo na região", disse Douglas da Nóbrega, responsável pelo documentário.

Única representante feminina na mesa, Cintia Savoli aproveitou para falar justamente sobre a falta de espaço para mulheres na cena. Ela lembra que falta às produções deixar de tratar a presença feminina apenas como "cota" dos shows e valoriza-las como artistas, assim como falta ao público consumir mais as músicas feita por mulheres.

Cintia também falou sobre a importância do rap entrar em um espaço como a universidade estadual para que se debata e entenda a cultura por meio do ambiente acadêmico. Porém, a rapper reforça que o "hip hop é uma cultura de rua, que se fomenta na rua. Os grandes pensadores do rap vieram dos guetos, e todo o conteúdo vem de rua".

Saindo da sala de aula, SalCity tomou conta da quadra desportiva da Uneb para mostrar na prática o que é rap. Uma batalha de freestyle movimentou o espaço entre as apresentações de artistas presentes no evento. Mesmo com todas as dificuldades que permeiam a cultura hip hop e o rap, quem participou do evento e assistiu ao documentário SalCity saiu da Uneb com a certeza de que o rap em Salvador vive!

Assista ao documentário SalCity:



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