Quarentena: como monetizar seu projeto artístico na internet | Entrevista com o CEO da Palco Digital

Atualizado: Ago 1

Salve minha banda, vocês já sabem que Visão Tá Cara e essa vale 1 milhão de dólares, mas eu faço no precinho pra vocês, rs.

Foto acervo Vinicius Palco Digital

Meus últimos meses tem sido de questionamento, indignação e pesquisa, sobre gerar renda com arte na internet. Afinal, vários setores estão fazendo dinheiro no digital, mas são poucos os artistas independentes que têm conseguido dominar esse capital. Pensando nisso, entrevistei Vinicius Soares, publicitário e CEO da Agência Palco Digital, que oferece consultoria e cursos sobre o tema há 6 anos, para artistas. Músico desde 1998, o cara também já foi professor do curso Música & Negócios (PUC-RJ), já ganhou o prêmio Profissional da Música e por baixo já ajudou mais de 5 mil artistas independentes. Será que tem bagagem nesse bate-papo?!


Tem várias formas de fazer dinheiro na internet e também muita coisa para contar e descomplicar sobre esse processo, mas o início de tudo é compreender o ambiente digital e como você pode se posicionar nele de forma estratégica. Por isso, leia esse texto com calma e atenção, volte nele quantas vezes forem necessárias, aplique os aprendizados e me avisa, tá?


Se liga aí porque eu separei cada tópico do caminho das pedras:


1) Internet e suas tendências de consumo | O que a arte tem a ver?


Nas palavras de Vinicius: “o tempo de ter que estar na internet já passou, agora você tem que estar na internet da forma certa ou é melhor que nem esteja”. Com isso ele não quis te fazer excluir as redes sociais e se isolar, rs, mas te incentivar a pesquisar e estudar sobre como outras pessoas do seu nicho tem se posicionado, experiência do usuário e storytelling. Nós vamos pincelar algumas coisas aqui para abrir a mente, mas o buraco é muito mais embaixo e exige atualização diária. A cada 10 anos os hábitos de consumo mudam completamente e durante esse tempo existem pequenas mudanças constantes. Por exemplo, depois dos CDs pirateados vieram os streamings, mas o que vai vir depois deles? Fica aí o questionamento!


“Ninguém quer comprar produto ou serviço, as pessoas querem uma experiência afetiva, uma transformação”, disse o publicitário da música.

Isso quer dizer que você não pode vender apenas música, pintura ou serviços, você precisa vender soluções. Para entregar a transformação que seu público quer - porque sim, seus seguidores são a sua audiência -, a primeira coisa para ter em mente, segundo Vinicius, é se capacitar. E em linhas gerais, a internet não é sobre você e seus gostos, o digital que vivemos hoje é sobre entregar experiências e o produto final é consequência da transformação que você possibilitou para alguém.


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Mas que experiência eu posso entregar se eu danço break, se eu canto rap, se eu vendo camisa, se eu só sei que nada sei? Alguns setores, como os 4 elementos do Hip-Hop, tem a dupla possibilidade de entregar produto ou serviço: entretenimento e/ou aprendizagem. Assistir uma performance ou aprender a fazer algo com quem a gente admira, por exemplo, são duas experiências legais, né?! Pois então, no geral as pessoas se interessam no produto final, o que não significa que elas não querem saber como faz. E no final das contas, todos querem se sentir parte do processo, cabe a você escolher a melhor forma de entregar.


Essa é uma das maiores tendências de consumo, se não a maior, dos últimos tempos: o público quer consumir de pessoas e marcas que se conectem com ele, que os escute. “Você precisa entender a sua audiência, saber o que as pessoas que te acompanham passam, vivem, suas dores e como elas se comportam”, explica Vinicius. Assim, com esse tipo de conhecimento, você pode fazer a ligação de quem você é como pessoa, o que você está produzindo, e o seu público. Deixa de produzir um conteúdo generalista e passa a focar diretamente na dor, na emoção, no que aquela audiência quer consumir e que você pode oferecer para ela.


É muita coisa, mas em resumo o game é sobre pessoas. Divulgue seu lançamento colocando seu rosto, fale sobre o processo, invente um quadro para conversar com seu público sobre assuntos correlacionados ao tema que você está abordando. Queira saber os gostos e desgostos das pessoas em relação ao nicho que você atua. É assim que se conecta, com verdade e escuta.


Foto de uso livre Freepik

2) O povo quer é conteúdo em todas as plataformas.


A cultura da produção de conteúdo é uma realidade. Você escolhe compreendê-la e adaptá-la para suas práticas artísticas ou não, mas precisa entender que agora é assim e cada vez mais será, porque as pessoas querem consumir conteúdo de qualidade. Por isso será necessário que você entenda algumas coisas, como:

  1. Quais plataformas digitais são mais interessantes para você e para sua audiência?

  2. Quais formatos de conteúdo você quer e pode produzir e qual a frequência disso?

  3. Quais subtemas relacionados ao seu projeto você pode abordar e como linkar com a entrega final?

Você sabe o que significa multimídia, multiplataforma e transmídia? Não? Relaxe! Vou explicar esses conceitos abençoados que quase explodiram minha cabeça na graduação.


Multimídia: utilizar várias linguagens para divulgar uma informação, ou seja, usar foto, texto, vídeo, áudio, meme, entre outros, para captar a pessoa para o que você quer dizer. Dizendo a mesma coisa em todas as linguagens.


Multiplataforma: divulgação em diferentes plataformas, pode ser internet, televisão, rádio, e outras, independente das linguagens usadas. Você pode usar a estratégia de dividir o multimídia ou pode replicar o mesmo conteúdo (Não faça isso!), por exemplo, no YouTube, Instagram, Twitter, Podcast e WhatsApp.


E estratégia transmídia? Aí é o barril! É a experiência de ser o dono da Matrix e dos hábitos de consumo das pessoas, porque é basicamente o que a Disney faz nos seus filmes, rs. [Retroalimentar um universo em si mesmo]. Criar narrativas únicas e autoexplicativas para cada plataforma e linguagem, mas fazer com que essas narrativas juntas contem a história completa. Bugou? Eu também bugo, kkk.


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Se ligue, para uma estratégia transmídia você precisa criar a necessidade do público consumir você em todas as plataformas que você está presente. A onda é criar uma narrativa maior, onde cada conteúdo nas diferentes redes sociais se completam. São histórias independentes, mas que ao mesmo tempo se costuram e estão interligadas, sacou?


Por exemplo, se uma pessoa ouvir a música no Spotify será legal, ela vai escutar e entender sua mensagem. Mas, esta pessoa precisará saber que não vai entender TUDO se ela não seguir a instrução, por exemplo, da descrição daquela música e abrir a thread que você fez no Twitter, e depois assistir o minidoc do IGTV. E é aqui que você ganha! Se o consumidor fizer isso, no final ele terá consumido tudo sobre aquele projeto e certamente será um replicador mais fiel porque se conectou com a sua história e sua arte. Numa estratégia mais aprimorada - quem sabe? - o público pode se conectar por, além de passar por todos produtos, ganhar um prêmio: o famoso mimo.


*Sinceramente, não entendeu o que é? Você pode ler mais uma vez ou mandar uma DM que te mando um áudio detalhado.

[Clique aqui para me perguntar que porra foi essa de transmídia].


De início, produzir conteúdo parece um terreno frio e obscuro e que sempre tem alguém na sua frente, mas o grande trunfo é perceber que a sua trajetória e o seu conteúdo são únicos e ninguém vai fazê-lo exatamente da mesma forma que você. Nesse momento você começa a perceber que na internet não existe competição. Clica no link que a Agência Gorilla explica esse conceito.



3) O que são produtos e subprodutos quando se trata de arte?


Com o tópico anterior deu para perceber que a produção de conteúdo possibilita estratégias para vender seu produto final, né? Mas muita gente pergunta: que produto final? Sua arte! O conceito comercial de produto é algo que supra uma necessidade ou ofereça uma experiência, por isso sua arte também é produto, afinal ela entrega experiências. Esse entendimento também permite que a gente tenha um imaginário mais profissional do fazer artístico, para pensar na dinâmica de entrega de produtos palpáveis e subjetivos, e também na entrega de subprodutos.


E o que são subprodutos?


Subprodutos são produtos secundários e/ou complementares de um produto principal, que podem ser comercializados ou fortalecer a experiência daquele fã com o seu projeto. Por exemplo, se você for lançar uma música e ao mesmo tempo faz uma coleção de acessórios com o nome do single, ou camisas, ou um livro com a história do single. Estes são subprodutos do objeto principal, a sua música. Pode parecer difícil e caro fazer isso, mas fica mais fácil se tudo for feito em cima de um planejamento detalhado, com orçamentos e objetivos. Por isso daqui a pouco eu vou falar como elaborar uma campanha com pouca verba e que dê resultados.

“Você pode criar subprodutos que de alguma forma linkem com a sua história e vendê-la. Suas experiências na música e na cultura, uma assinatura mensal com lives exclusivas, com produtos especiais. Esses são alguns exemplos, tem vários. O caminho é saber criar a ponte dos subprodutos, sua música será o principal mas existe uma ponte que a sua audiência te permite vender coisas ligadas a sua música, que você precisa saber aproveitar”, explica o CEO da Palco Digital.


4) Socorro! Eu sou artista e lidar com vendas me dá gatilhos.


Não posso negar, realmente é muita coisa, mas com certeza é o caminho que precisa ser percorrido para um projeto artístico prosperar na internet e quem sabe gerar o rendimento esperado. Antes de todas essas atividades, tem duas coisas que precisam ser prioridade: o entendimento de que não acontecerá do dia para noite, ou sem um esforço profundo e verdadeiro, e a certeza de que esse projeto vai gerar resultados para você.


Difícil, né? Também acho, passo por isso diariamente, mas tento não perder de vista que o trunfo para dar certo é que a minha mente esteja em dia e os meus pensamentos centrados. Quando eu começo a passear demais nas ideias, querendo fazer tudo e mais um pouco ou sem saber por onde começar, é um forte sinal de que estou confusa e preciso voltar algumas casas.


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Muitas vezes nós não conseguimos executar projetos porque deixamos que a nossa mente tome as decisões automaticamente, isso é se deixar levar por pensamentos de auto sabotagem. A mente humana é uma máquina e precisa ser tratada como qual. Observa! Não é você que é uma máquina. Por isso revisite sempre a ideia bruta do que pretende fazer e os planos que traçou para isso.


Outra coisa importante para ativar a mentalidade certa é se expor a conteúdos e pessoas inspiradoras nos assuntos que você precisa aprender. Vai ser muito difícil desenvolver um projeto se você passa o dia inteiro no Instagram assistindo vídeos engraçados para ver chapado, entende? Não precisa parar de relaxar a mente, mas regrar o uso das redes sociais para te favorecer.




5) Como transformar arte em produto para além dos streamings?


Como eu sou @ageminianaplanejadora você já sabe o que eu vou falar, né?! Rs. Planejar antes de executar evita gastos e frustrações. Responda as perguntas norteadoras:

  1. O que eu vou entregar ao público?

  2. Como vou fazer isso?

  3. Quanto custará e qual o prazo dessa produção?

  4. Do que vou precisar?

  5. Como será divulgado e entregue?

Para aprender mais sobre planejamento, leia meu texto “Como planejar uma carreira no Hip-Hop” e o texto da jornalista e assessora de imprensa Laisa Gabriela, “5 Dicas para Planejar o Lançamento de Seu Single”.


Mas além do planejamento, tem uma chave que se você virar e aplicar, muito provavelmente seu projeto só tende a crescer: o MPV. Mínimo produto viável é o nome da técnica de ouro desse texto e de todas as marcas que lançam produtos e projetos prósperos. Consiste basicamente em testar a performance do projeto que será lançado, na menor escala possível e com o menor gasto, mas a maior atenção para perceber novas possibilidades, e principalmente, o retorno do público alvo. Clique aqui e aprenda os passos para executar um MPV.


Agora entendidos do como fazer, vamos abrir a mente para possibilidades da sua arte na internet, para além da música, nas plataformas de streaming. O digital nos oferece uma infinidade de formas e ferramentas, mas é sempre sobre entregar algo que vá suprir uma necessidade ou uma experiência. Se liga na visão do Vinicius!


“Ninguém chega querendo comprar cultura, mas quando as pessoas sentem que você tem uma história que se conecta com a dela, isso muda. O produto cultural é intangível então é difícil de precificar como um sapato, por exemplo, que tem um preço fixo. E a gente tem esse poder [com a cultura], de acertar o coração do público, por isso um produto cultural pode valer dez reais, cem reais, dez mil ou um milhão, depende unicamente de como essa história será comunicada e vendida”.

6) Ferramentas, formatos e plataformas para explorar.


Vender arte e cultura na internet precisa partir da máxima de ser criativo para entregar uma experiência única e que envolva o público. Uma das formas de fazer isso é transformar sua história em um produto fechado e palpável, outras possibilidades são as lives exclusivas, as performances únicas, ou produções artísticas surpresas entregues através de uma assinatura mensal. Pode tudo, só depende da narrativa que vai comunicar isso. Lembra do 2º parágrafo? Então, o conteúdo gerado para divulgar esse novo produto será seu principal aliado, ancorado no planejamento. É claro!


Existem algumas ferramentas e plataformas possíveis, para criar diferentes formatos de entrega, e tudo vai depender do que será o produto: live particular, curso, livreto em e-book, áudio? São muitas, nem eu conheço metade dessas plataformas, por isso a cada projeto eu faço uma nova pesquisa para entender qual plataforma e ferramenta pode melhor atender o que preciso. Mas vamo lá!

  • Para produtos audiovisuais tem o YouTube com a opção de link privado e o Vimeo;

  • Para escritos, imagens e ilustrações organizados em livro digital tem o Canva para diagramar e transformar em site ou PDF;

  • Para performances, shows e/ou bate papos ao vivo e intimista tem o Zoom, o Google Meet, o Jitsi Meet, Hangouts, Skype. (Cada uma tem ferramentas específicas e um limite de pessoas em caso de versão gratuita, mas as versões pagas quase sempre são acessíveis). Saiba mais;

  • Para narrativas mais longas em vídeos sequenciais de conteúdo, tem o Eduzz e a Hotmart (que não está disponível apenas para curso de marketing digital, kk);

  • Para entrega de áudio tem o Telegram e o Ancor;

  • Para assinatura mensal, o melhores amigos do Instagram é uma boa pedida, ou uma conta fechada apenas para o acesso de quem comprou a assinatura.

Agora, vamos as ferramentas que todos vão usar porque serão responsáveis pelo recolhimento do recurso. Possíveis formas de receber o dinheiro:

  • Financiamento coletivo se o seu projeto for amplo, público e de impacto;

  • Transferência bancária ou boleto gerado pela Nuconta, do NuBank;

  • QR Code no Pickpay ou bilheteria no Sympla;

  • Link de pagamento no PagBank

Finalmente chegamos ao fim dessa aula escrita sobre possíveis caminhos para adaptar e monetizar seu projeto artístico no digital. Você, guerreira ou guerreiro, que chegou até aqui na leitura, agradeço pela confiança e investimento de x minutos do seu dia em aprender comigo. Significa muito para mim. Sei que foi muito papo e de um assunto denso, mas estou disponível para continuar trocando ideia e tirando dúvidas no meu Instagram: @ageminianaplanejadora.


Aproveito para te avisar em primeira mão, porque ainda não contei a ninguém, que dia 24/08 vou abrir espaço para uma mini consultoria de visões mais específicas e aprofundadas sobre carreira e projetos artísticos. Quem quiser, terá a oportunidade de conversar 1h comigo, no formato “Análise de caso”, no qual você me apresenta sua ideia e traçarmos juntos um caminho para viabiliza-lá. Ou “Visões Promissoras”, que serão orientações sobre um desses assuntos escolhidos por você:

  • Como transformar sua história em produto;

  • Autoconfiança profissional e empreendedorismo para artistas;

  • Planejando os próximos passos da minha carreira;

  • Como me posicionar no mundo digital sendo um artista.

Se quiser ser avisado primeiro sobre a abertura da mini consultoria, clique aqui.



Um pouco mais sobre mim…

Sou Beatriz Almeida, jornalista e potencializadora de ideias urbana. Permeio o Hip-Hop baiano a cerca de três anos, através do 5º elemento. Comecei escrevendo matérias e fotografando alguns eventos e pessoas, sempre auxiliando a carreira de mulheres talentosas. Também tentava aplicar as ferramentas e técnicas aprendidas com a faculdade de jornalismo e o empreendedorismo no Coletivo Vira-Lata. Mais recentemente passei a experimentar o Hip-Hop do local de parte integrante e produtora, através da Coletiva ArMinina, hoje chamado de Selo Nsabas, realizando a Batalha das Bruxas e o Slam Pandemia Poética. Além disso, sou co idealizadora do projeto Pagode Por Elas, o 1º canal de comunicação sobre mulheres do pagode baiano.


Se você gostou do conteúdo, quer elogiar, fazer críticas construtivas, mandar sugestões de temas, tirar umas dúvidas, ou apenas me dar um oi, pode chamar no @ageminianaplanejadora, lá também dou outras dicas sobre planejamento e gestão de carreira. Tamo junto, não é de boca!


Edição: Giovana Marques


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