Perfil @Trapbaiano mostra que rap é compromisso, mas também é gastação

Tem mais de uma semana que a cena do rap soteropolitano se pergunta: “quem criou a página @TRAPBAIANO? no Instagram”. O RAP071 foi apurar para saber quem é essx loucx que em menos de 15 dias bateu 3 mil seguidores na sua conta da plataforma, utilizando o humor como forma de entretenimento com o rap.



A página surgiu com o intuito de alegrar e unir a cena, postando memes engraçados feitos especialmente pensando nos Mcs e Djs baianos. Segundo x criadxr, que já fez meme com artistas dos menos conhecidos até os que estão no hype, inclusive deixando alguns chateados por ainda não terem sido alvo da gastação. Aurea, Vandal, Shook, Virus, Suja, Ian Cloud, Janaina Noblah, 2kike e Ravi são alguns dos intermináveis nomes que já rodaram na lista do @TRAPBAIANO.


De onde sai criatividade para tanta postagem é um dos muitos questionamentos ao ser humano idealizadxr da página, que também canta rap, mas elx contou que já tinha experiência.


“Eu sempre tive páginas de memes muito grandes na internet, tinha deixado de lado, mas recentemente comecei a pensar que o cenário baiano estava precisando disso, e aí eu resolvi criar uma página só com os mcs daqui para levantar um público, também para eles”. Sobre o processo de criação, “eu só vejo a foto a internet e faço o meme, mano. Confesso que teve alguns que pensei duas vezes em fazer, outros eu já sabia exatamente o que botar”.

Aurea Semiseria foi uma das Mcs mais citadas pela página, com os memes mais compartilhados. Coincidentemente, x criadxr é do mesmo bairro que a Mc, e ela compartilhou a importância dessa iniciativa ter partido de alguém de Cajazeiras, porque as pessoas de lá são carentes de atenção em relação ao rap, já que a cena não cola nas atividades do bairro com a justificativa de ser longe e perigoso.



Aurea conta ainda que a ideia caiu muito bem, tanto que é a sensação do momento. “Eu amei a iniciativa, Salvador estava precisando desse incentivo em mídia, porque a galera paga um pau do pessoal do Sul e nós que somos tão originais quanto eles não tínhamos esse agito. Deu uma balançada na cena”, reflete a rapper.


Outro fator interessante é que o perfil surge num momento onde o trato com o humor é tema de discussões calorosas no país, seja por excesso de conservadorismo, seja por lutas para que as discriminações não estejam implícitas nas peças humorísticas. Diferentemente dos embates travados em torno do tema, as pessoas envolvidas, de acordo pelo que acompanhamos nas redes sociais, não viram na brincadeira um problema, e até compartilham e se envolvem com as postagens.


Ao que parece, as intenções não são nem um pouco mercadológicas, o lucro esperado é só em progresso para a cena baiana, de acordo com x responsável pela página. “A intenção de tudo isso é crescer mais o nosso cenário, juntar o público de todos os rappers para que todo mundo se conheça e a gente já consegue ver a força que o rap baiano tem, porque rapidamente a galera aderiu e gastou junto”.


Sobre as possíveis tretas, a pessoa parece ser destemida, porque já avisou em postagens que tudo se trata de uma brincadeira, mas se causar algum incômodo é só avisar que a postagem será retirada.


Modéstia a parte, elx já esperava que a página bombasse, os mil seguidores em menos de 24 horas não surpreendeu, apesar de ter trazido felicidade. Para finalizar avisou, “vocês podem esperar muita coisa da página @trapbaiano, já estamos vendo para fazer uns videos de edição ‘dorgas’”. Mas infelizmente x abençoadx preferiu deixar a curiosidade no ar, para evitar que sua imagem fosse associada a página, pelo menos por hora.


“Estou muito feliz de estar dando essa entrevista para o Rap 071, pela importância que tem para a cena. Há uns dias atrás, antes de criar a página, eu estava vendo algumas entrevistas no portal sobre os rappers antigos e o trabalho está muito foda”. Para a equipe do Rap 071 também foi muito legal saber que o trabalho desenvolvido no portal tem sido referência para outros jovens que tem a sede de pautar e fortalecer a cena do hip hop em Salvador.

Beatriz Almeida é estudante de jornalismo e colaboradora do RAP071

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