“O que você faz pela sua quebrada?”, o sarau Fábrica de Rimas chega em sua 5ª edição




Um sábado ensolarado e agitado na praça do Loteamento Vila Mar, na Estrada Velha do Aeroporto, no último dia 24 de novembro. Organizado pelo coletivo sarau “Fábrica de Rima”, o espírito de coletividade tomou conta do evento “Hip-hop na quebrada: onde tudo começou”.


Envolvendo toda a comunidade - desde a compra de tinta para indicar a localização para os visitantes, a escolha do muro para receber o grafite coletivo, promoção de ações de educação e saúde, fortalecimento do comércio local e empreendedorismo independente-, o evento foi regado de muita poesia, grafite, break e beats, no comando de um dos DJs mais antigos do hip-hop baiano, DJ Bandido.


Nesta edição, além de unir todos os elementos estruturantes do hip-hop (MC, DJ, danças urbanas e grafite), o grande destaque fica por conta das ações comunitárias (o fortalecimento do quinto elemento - o conhecimento), por meio do apoio do projeto de saúde “Viva melhor sabendo jovem Salvador”. A equipe distribuiu informações, materiais e insumos de prevenção sobre HIV e outras infecções sexualmente transmissível (IST), assim como a realização de teste para HIV.


O que mais chama atenção em evento de quebrada é a presença de pessoas de idades variada, crianças, jovens, adultos e que até mesmo quem não são do hip-hop. Teve MC que veio de longe, Os Diamantina, da cidade de Andaraí, dupla de MCs que acabaram se enfrentando na batalha de MCs.



Destaque para o grupo Contenção 33, que apresentou o recém-lançado EP Vida do Avesso, lançado em outubro. Também marcaram presença os MCs Latro & Smurf (revelações do sarau) e de Mana Bella, artista e socioeducadora.


“Através do trabalho que realizava na comunidade do Bairro da Paz, conheci o rap, mas foi em São Paulo, que tive coragem de me lançar como MC e Poeta, depois de anos dentro da cultura hip hop e sendo backing vocal de grupos daqui de Salvador. Fiz parte do grupo PretoNuBranco onde fiquei por 2 anos, participei do projeto do meu amigo Cha Alberto de MPBT, Música Preta Brasileira Teatral, em 2017 me tornei Slammer participando de várias batalhas de poesias. No início de 2018, voltei aos palcos com meu projeto solo, misturando rap e poesia” (Mana Bella).

O festival mesclou artistas da velha e nova geração do hip-hop baiano, com participação dos b.boy Ananias, Katatal e Tom, do rapper Mr. Armeng (que se apresentou com seu filho), do grafiteiro internacional Bigode e dos grupos rap RBF, Estilo Livre, Castele e Contenção33. Além de Batalha de MCs e sarau de poesia com Marina Lima, Deise Fatuna, Valdeck Almeida de Jesus e a Cia Piccola do Teatro ICBIE.



Confere o vídeo que o RAP071 fez do Sarau Fábrica de Rimas 'Hip Hop nas Quebradas, onde tudo começou':



Por Regiane Miranda, pesquisadora em Cultura e Sociedade e colaboradora do RAP071 Fotos: Sarau Fábrica de Rimas


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