Numb reaparece na cena com som e videoclipe inéditos em homenagem ao Novembro Negro



A letra de Dual #Deusepretx não é nem de longe um mero detalhe que deve ficar em segundo plano numa matéria sobre o lançamento do mc Numb, em comemoração ao Novembro Negro. Mas, vale deixar registrado ainda nas primeiras linhas, que a fotografia do videoclipe se destaca logo nas primeiras cenas. É forte, impactante, sensível e belo. O lançamento aconteceu exatamente no dia em que se comemora a Consciência Negra (20 de novembro), através do canal do YouTube do selo Maximus.


Em Dual #Deusepretx, Numb traz uma reflexão sobre religiões e questiona definições e características do Deus católico, por exemplo. Em outras palavras, o mc provoca uma discussão que costuma ser polêmica sobre a intolerância e ignorância em relação às religiões de matriz africana. “Eu escrevi essa música com objetivo de incitar a dúvida, incitar a vontade de buscar, de conhecer outras culturas e exigir respeito pelas religiões de matriz africana, eu gosto de provocar não gosto do que é óbvio”, explica o artista.

Os méritos do resultado desta produção audiovisual pode ser dado, em boa parte, a Nai Sena, que também é artista e gestora de negócios do selo/gravadora/produtora independente Maximus. Nai assina a direção, roteiro, produção e ainda outros detalhes do processo que envolve a criação de um videoclipe. Ah! As imagens, que não por acaso também são dela, foram gravadas no Parque da Cidade, em Salvador.

Foi tudo muito bem pensado e pesquisado para que a ideia da música entrasse em sintonia com as imagens. Detalhes do roteiro e figurino, como: as cores que estariam presentes e em como elas iriam dialogar entre si, a semiótica empregada, o simbolismo da maçã, foram pensados por Nai numa busca de desconstruir alguns conceitos sobre a temática abordada.

“Me senti realizada com o resultado, pois Dual é uma música que traz muita representatividade para o povo preto, para o Hip Hop dos tempos atuais. Uma música de protesto que aborda representatividade, violência, homofobia, solidão da mulher preta, enfim”, comemora Nai.


A desconstrução que Nai Sena buscou traduzir em imagens, vem logo da primeira estrofe da música, quando Numb diz: “Homens nem sabem quem são / Quebra esse santo de barro / Troca esses deuses de plástico / não me vejo aqui sim sou meu senhor / Sem vida é sem cor / Meu Deus é preto Meu Deus é Preta”


- “Começo a música desconstruindo esse Deus que nos é imposto. Este é um Deus de punições, um Deus que lhe oferece o paraíso se você for subordinado, porém se você não for condizente com as regras do 'livre arbítrio', você sofre (risos). Levanto alguns questionamentos sobre padrões estéticos, padrões de gênero, capitalização da fé racismo religioso, entre algumas outras questões”, afirma o mc, que inclusive assina também a edição das imagens do clipe.

A história do videoclipe gira em torno de uma pessoa que está a procura da sua essência e do autoconhecimento. Nessa busca, ela encontra a maçã - que é o fruto do pecado em algumas doutrinas ou religiões. A desconstrução está neste momento também, já que na história a maçã está representando o conhecimento.

O selo Maximus é formado por artistas e profissionais ligados a música, especificamente a música Rap e as suas vertentes. Nasceu com o objetivo de oferecer aos seus artistas todo suporte voltado para gerenciamento de carreira, produção musical, produção audiovisual, comunicação, marketing e gestão de eventos. A Maximus é movimentada por: Victor Haggar (Artista / Produção Musical); Numb (Artista / Produção Audiovisual); Danfacto (Artista / Gestão de eventos); Nai Sena (DJ / Gestão de Carreiras) e Mônica Carvalho (Assessoria de comunicação).


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