Mulheres, grafite e persistência

Grafiteiras baianas mostram que é preciso ter orgulho dos seu trampos e dar apoio para que outras mulheres continuem produzindo

"Quebrar barreiras”, duas palavras que no decorrer dos tempos se tornaram características do grafite, que passou de vandalismo a ser visto como uma arte de rua, e são essas duas palavras que as mulheres carregam no dicionário para que os muros em sua frente sejam apenas para expor seus grafites.


Andando pelas ruas de Salvador é possível notar como a arte do grafite se faz cada vez mais presente, colorindo muros abandonados, decorando casas, fachadas de lojas, lugares público, escolas e diversos outros espaços que utilizam desses desenhos para representar sua própria personalidade.


Exemplo disso é o Rio Vermelho, bairro boêmio de Salvador que tem grande parte dos seus muros coloridos com desenhos feitos por diversos grafiteiros e grafiteiras.

(Foto divulgação, Estúdio de tatuagem no Rio vermelho)

Sim! Grafiteiras! Ao mencioná-las algumas pessoas ainda se questionam se esse é um espaço que pode ser ocupado por mulheres. Mas, porque não? Se elas podem ser médicas, professoras ou seja lá qual for à profissão, porque também não grafiteiras?


As mulheres deixaram de ser meras expectadoras e se tornaram participantes ativas desse movimento, indo a mutirões e reunindo grupos de mulheres para pintar muros, uma forma de empoderamento através da arte, além de se sentirem mais seguras.


“Sempre digo que antes de ser arquiteta e urbanista, sou grafiteira, foi à profissão que a rua me deu, não tem universidade que ofereça essa graduação”, afirma a grafiteira e arquiteta Andressa Monique, que encara não apenas como um hobbie, mas como uma profissão.

Monique, nome que assina em seus trabalhos, teve contato com o grafite quando começou em 2014 a ir para as ruas de Salvador realizar intervenções com lambe-lambe (arte de colar cartazes nas ruas), e no final do ano seguinte começou a grafitar.



(Foto divulgação, Muro na Vasco da Gama, pintado pelas grafiteiras Monique e Srtas.)

O grafite é caracterizado por um grupo majoritariamente masculino, que em sua maioria acredita que as mulheres devem ser apenas expectadoras ou que devem ficar em segundo plano, como cita a grafiteira Ananda Santana, “Tem situações de você está em determinados eventos e a pessoa te colocar pra pintar no fundo porque não querer se juntar com você”.


Ananda ainda ressalta que mesmo sendo bem aceita tanto por homens quanto por mulheres, já ouviu relatos de preconceitos e disputa de espaço, vividos por algumas das suas colegas, além das dificuldades financeiras e falta de valorização dos contratantes que se tornam as principais dificuldades encontradas por elas.


Desistir não é uma opção para elas. É preciso driblar os obstáculos através do diálogo e persistência em pintando os muros, para expor não só os homens, mas toda a sociedade a encarar os fatos de que as mulheres também fazem parte desse contexto e tem histórias a contar através dos seus desenhos.

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