Fernandinho Beat Box critica nova geração: "o rap vai muito além disso"



Com um microfone e um amplificador, ele consegue emitir as mais diversas batidas com os mais variados sons. Não é por menos que Fernandinho Beat Box é um dos principais nomes do Brasil e mundo quando o assunto é a percussão vocal do Hip Hop.


Com um passado aonde já chegou a dormir na rua, hoje Fernandinho viaja o mundo fazendo apresentações nos shows de Marcelo D2. Ele acompanha desde 2004 o rapper paulista de quem recebeu o apelido de “o incrível, o extraordinário: Fernandinho Beat Box”.

Eles estiveram em Salvador durante o show da turnê “Nada Pode Me Parar”, em outubro deste ano, onde D2 apresentou o seu último disco e sucessos antigos da carreira e do grupo Planet Hemp. Claro, o público também pôde acompanhar de perto as batidas extraordinárias, do incrível Fernandinho.

O Rap071 aproveitou para trocar uma palavra com o beatboxer que não poupou críticas aos rappers nacionais da atualidade. Fernandinho figura na cena desde 1990, quando se tornou profissional em Beat Box, mas hoje ele já vê um novo cenário no hip hop brasileiro.

- “Eu não posso compactuar com a mentira, mas infelizmente eu tô vendo uma nova geração pegando o bonde andando. Rimando janela com panela e achando que são da favela. E o rap ele vai muito além disso”.

"[Para ser Beat Box] tem que ter vontade de aprender para ouvir e tentar imitar os sons. Um microfone sempre ajuda para trabalhar os timbres. Nas aulas 'apresento' os sons do 'beat-box': o baixo é um gato rouco, o bumbo é uma cuspida a seco e a caixa é uma tosse",

Fernandinho Beat Box

Ele falou da importância dos novos rappers aproveitarem a mídia das novas tecnologias para divulgar e propagar a mensagem do hip hop. Porém, ele pontua que o artista precisa saber aproveitar essas oportunidades para crescer também como pessoa.

- “Eu aprendi que no Rap você tem que respeita e tem essa nova geração aí que é obvio você têm que evoluir. E hoje essa nova geração aí aperta uma tecla e você fala para o mundo inteiro. Mais aí é que tá, se você tem essa possibilidade, essa maquina que fala com o mundo inteiro, você tem que atualizar, aprender a tratar com as pessoa”.


Entretanto, Fernandinho também comentou sobre o surgimento cada vez mais de empreendedores dentro do movimento hip hop. Ele falou das novas possibilidades dentro do cenário que não haviam há décadas atrás.

- “A parte positiva que eu vejo nessa nova geração do rap é que eu vejo muito a molecada se profissionalizando, aprendendo a produzir; empresários investindo e apostando nessa geração. Isso é bacana porque na minha época, quando eu comecei em 90, as pessoas olhavam com um certo preconceito.

Ouça a entrevista:


#BeatBox #NovaGeração

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