Entrevistamos as jornalistas que produziram o doc Hip Hop com Dendê, exibido no FSM; confere aí


Hip Hop com Dendê. Esse é o nome do curta-documentário produzido e dirigido pelas jornalistas Fabíola Aquino e Lilian Machado, em 2005, e exibido na Mostra de Filmes, que integra o Fórum Social Mundial 2018. O filme retrata a chegada do hip hop à Bahia e a maneira como o movimento conquista a juventude da periferia de Salvador e como eles encontraram meios alternativos para se comunicarem, através de rádios e jornais comunitários e o famoso “boca a boca”.

O movimento surgiu nos Estados Unidos da América, mas ao chegar à Bahia tem uma apropriação muito particular, o que dá ao movimento características locais. Já o filme, assim como o RAP071, nasceu no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), pela faculdade 2 de Julho.

Em um bate-papo com as duas produtoras, elas nos contaram um pouco dessa história que começou lá atrás.


RAP071: COMO NASCEU A IDEIA DE ABORDAR O HIP HOP EM FILME? QUAL FOI O EMBRIÃO MOTIVADOR?

F.A/L.M. - Quando Mv Bill veio se apresentar em Salvador, eu vi a periferia inteira invadir a Concha Acústica. Fiquei impressionada, porque a gente estava vendo um movimento crescente, mas que não estava na mídia, não tinha visibilidade. Estar nesse show que me aproximou do tema.

RAP071: VOCÊS JÁ PERMEAVAM O AMBIENTE DO MOVIMENTO HIP HOP, OU TIVERAM QUE SUBMERGIR NELE DEPOIS DA PROPOSTA DO FILME?

F.A/L.M. - Nós não éramos e não somos integrantes no movimento propriamente dito. Mas foi e a partir daí que fizemos um mergulho para encontrar as informações que precisávamos para desenvolver o projeto. Era impressionante porque o movimento surgiu nos EUA, mas chega à Bahia e tem uma apropriação muito particular. Por esse motivo o título do filme, no sentido de entender que tempero é esse que a gente dá às coisas e elas se tornam tão próprias. E ao mesmo tempo traz um discurso de resistência em cada local que se instala. E aqui não é diferente, se instala com essas vertentes e interesses sociais.

RAP071: QUANTO TEMPO DUROU ENTRE ROTEIRIZAR, GRAVAR, EDITAR E FINALIZAR?

F.A/L.M. - Desde o momento das pesquisas, estudos e imersões até a produção propriamente dita, durou em torno de 6 meses.

RAP071: COMO SE DEU ESSA IMERSÃO?

F.A/L.M. - Esse mergulho se deu, no ponto de vista de pesquisa, em revistas e todo tipo de materiais publicados e audiovisual que tivemos acesso. Mas damos o crédito de produtor associado do projeto ao DJ Branco. Ele é uma liderança no movimento hoje e, naquele momento, também já era um líder. Foi ele quem nos abriu portas fundamentais para conhecermos o universo do hip hop, dos cenários aos atores daquele universo. E, também, muito especial, porque nos levou à periferia da periferia do hip hop.

RAP071: COMO FOI A RECEPÇÃO DOS INTEGRANTES DO MOVIMENTO COM A CHEGADA DA EQUIPE?

F.A/L.M. - Houve uma resistência muito grande, no começo. Eles tinham uma ideologia de resistência com a divulgação feita por outros comunicadores de fora das comunidades e dos movimentos. E foi nesse momento que o DJ Branco conseguiu nos aproximar desse universo e nos ajudou na conquista desses espaços.

RAP071: TEM AGENDA PARA O FILME SER EXIBIDO OUTROS CIRCUITOS?

F.A/L.M. - Como o nosso documentário é antigo, de 2005, e já está disponível no youtube, os festivais não têm tanto interesse em exibir filmes antigos. Essa mostra é uma possibilidade para trazer visibilidade e novas discussões, até porque ele dialoga com a temática do Fórum Social Mundial. Mas já participamos de mais de 30 festivais, inclusive com exibição internacional, em cidades com Nova Yorque e Paris.

RAP071: COMO FOI A REPERCUSSÃO DO FILME?

F.A/L.M. - Depois do filme pronto, a faculdade ficou parceira da gente e financiou o envio para diversos festivais. Com toda a repercussão, nós viramos referência dentro das universidades, sendo usado para embasamento de diversas teses.

Reflexo do movimento que ganha milhares de adeptos no mundo, o hip hop chega à Bahia e conquista grande parte da sua juventude periférica, que mistura os elementos -- grafite, break, rap, DJ, MC e o "pensamento" -- com as expressões artísticas locais. Juntos descobrem formas alternativas de se comunicar e falar para aos seus, por meio de rádios comunitárias, jornal comunitário, internet e em especial o boca a boca.

(Descrição do documentário no YouTube)

Assista:



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