"Bandeira Preta", novo single do grupo AVC, versa sobre morte no gueto e movimento anarqui


Foi mais antigamente, com auge na década de 90 (em Salvador), que o movimento punk e rock tiveram a função social de serem as maiores referências para a aglomeração de pessoas que se identificavam com o protesto e subversão de determinadas imposições sociais. Com Maine e Gambit, vocais do grupo de rap AVC (Ataque Verbal Contundente), o cenário foi parecido, mas já nos anos recentes. Depois de integrarem o extinto ProNpr - banda e gravadora independe de rap -, os músicos recruzaram os seus caminhos no movimento hip hop a partir da proximidade com outros movimentos culturais, e à frente do AVC lançaram o clipe e a faixa Bandeira Preta, dia 25 de abril, no Youtube.


Amigos desde 2010, quando estudaram no mesmo colégio, Gambit e Maine já ensaiavam break e letras de rap na Escola Estadual Dois de Julho. A vontade de voltar a musicar suas letras já eram latentes nos dois mc´s, quando os músicos aceitaram o convite para participar da cypher "O Retorno', ao lado de Saymon Contreiras, Proflocco e Sizo; os dois últimos componentes do grupo Visão Oráculo, trabalho que resultou na formação da banca Palaquevai REC. A partir daí, não deu outra: voltaram a castelar ideias juntos até nascer o AVC, que também conta com o Dj Italus no comando das pick-ups do bonde.

Para compor "Bandeira Preta" os caras buscaram referências de distintas formas de absorção, como filmes, livros e pensadores. "A minha letra tem referências de grandes filósofos anarquistas, uma influência niilista quando demonstra que não vem saída no que estamos vivendo a não ser guerrear contra o sistema. A vivência vem do sentimento de revolta e nojo que sinto desse sistema", explica Gambit. Já Maine afirma que a passa a "visão sócio-politica associando-as a referências como o filme "Jogos Vorazes, o quadrinho do anti herói "O Doutrinador" e o livro "A Arte de Queimar no Inferno" expressando a revolta com a nossa política corrupta e expondo nossa farsa histórica".

Ouça "Bandeira Preta", que faz uma alusão tanto ao luto das mortes aqui no gueto quanto ao movimento anarquista onde ele tem como representação uma bandeira preta.


Quem assina o beat da faixa é André L.A, e a edição de áudio foi trampo do sagaz Pivete Nobre (Saca Só). Já o clipe, tem a responsa da OnTheLine, com Daniel Sant'anna na linha de frente do trampo, e as cenas foram gravadas no próprio reduto dos Mc´s, Fazenda Grande do Retiro. Fazendo o hip hop pulsar na sua essência mais fiel, o material de divulgação do grupo é bem taxativo na informação: "O AVC não é só um grupo de Rap que se limita as músicas, nós temos vivência e ação direta nas ruas, somos tudo aquilo que nós falamos e esperamos ser e falar muito mais".


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