Artistas comentam importância da série 'The Get Down' para as raízes do Hip-Hop



Em meio a guerra entre gangues no bairro do Bronx, em Nova York, um movimento que mistura música, dança e grafite surge como alternativa para tirar os jovens da criminalidade. Dentro deste cenário, a série da Netflix The Get Down revive o início da cultura hip-hop no gueto dos Estados Unidos, na década de 1970.

O movimento que surgiu nas ruas ganhou força e representatividade em todos os guetos do mundo, e em Salvador não seria diferente. A cultura hip-hop ganhou forças na capital baiana a partir da década de 1990, com as crews e posses que se aliaram aos blocos afros e de samba-reggae.


Retomar ao surgimento do rap, enquanto elemento da cultura hip-hop, é fator essencial para a autenticidade do artista, é o que defende a grafiteira e militante há mais de 10 anos na cena hip-hop soteropolitana, Sista Kátia.

- “Eu acho que a gente tem que pegar como referência todo esse surgimento do Rap enquanto elemento da cultura hip-hop que surgiu no Bronx, misturando elementos da região de cada pessoa”.

O rapper Mobbiu, que já produziu eventos de hip-hop na cidade, também pontuou a importância da série The Get Down para o fortalecimento das raízes do rap. Ele produziu o Selo/Coletivo Positivoz e ganhou o prêmio Hip-Hop Preto Ghoes, do Ministério da Cultura, na categoria “Correria”.

- “[a série] está reforçando as questões da estética, do comportamento, das gírias no mundo do hip-hop. Isso faz você começar a identificar quem é tal cara, quem é outro”.

"O hip-hop na Bahia alia-se a uma postura de resistência já assumida pelos blocos afros no início da década de 1980. Eles ajudam a repensar manifestações artísticas, como uma bandeira política de contestação das mazelas sofridas pelo povo negro, culminando na exclusão social e racial, tão visíveis na capital baiana".

(CARVALHO, 2014).

The Get Down revive os anos 70 mesclando imagens reais com a ficção no cenário do Bronx. A trilha sonora do seriado traz nomes de peso na história do movimento Hip-Hop, como os pioneiros DJ Grandmaster Flash, DJ Kool Herc, Kurtis Blow e Afrika Bambaataa e o rapper Nas.

Ouça a trilha sonora completa de The Get Down

A primeira temporada da série teve apenas seis episódios, mas já contribuiu muito para quem quer conhecer um pouco sobre o surgimento do movimento e seus quarto elementos*: o Disk Jockey, o MC, o Break e o grafitti. Em um episódio, Grandmaster Flash, o grande mestre da série, ensina a prática do DJ e como construir um beat de rap.

*Há também a teoria de que a cultura hip-hop se define em cinco elementos: o DJ, o MC, o Break, o Grafitti e o movimento.


- “A série traz esse submundo para muita gente. O do grafite. O do break. Você vê a importância do Bboy na cena. O melhor [DJ] é quem faz o Bboy dançar, hoje você sente a carência do Bboy na festa”, comentou Mobbiu.

Sista Kátia também lembrou a importância de dar identidade no que foi produzido nos Estados Unidos para o que é produzido no Brasil. Ela explica que o estilo criado no Bronx quando chega ao Brasil sofre uma influência local.

- “Músicas com muito mais percussão. Instrumentos de corda diferenciados. Eu acho que tem que ter essa mistura para a gente apresentar uma novidade para outros lugares, e não ser só uma cópia”.

Para promover The Get Down no Brasil, a NetFlix fez uma nova versão de “Mandamentos Black”, do Gerson King Combo, produzido pelo Tropkillaz. No clipe, a presença ilustre de Tony Tornado, Dj Hum, Rael, Karol Conka, Backspin Crew, MC Jack, Thaíde, Lellêzinha, Pepeu e Nelson Triunfo. Assista:


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