Um grito de dor e de garra: NegaFya engrossa discurso sobre a "Solidão da mulher preta"



"Mulher, um ser que resisti e é firme. Mulher, quanto mais melanina tiver maior a sua dor, pouco se tem amor. Tudo isso para nós é um fator. Você sabe o que é isso?"

A poesia marginal de NegaFya, intitulada 'Solidão da mulher preta', representa um grito de desabafo para quem, na pirâmide da nossa sociedade, ocupa a última cadeira. Um grito de quem sofre pela cor da pele e por ser mulher. Não só um, nem outros, mas os dois. Elas, que até mesmo dos homens negros, são tratadas com desprezo.

"Você, que sempre foi feita para casar; enquanto eu, mulher negra, nós mulheres negras, servimos só para transar. Saciar o homem branco, homens negros que também vivem a nos maltratar"

Poetisa, MC, artista de rua, produtora e ativista cultural, integrante do grupo Resistência Poética e idealizadora do Slam Das Minas-BA. Fabiana Lima, ou NegaFya, tem apenas 21 anos e já carrega uma grande lista de atribuições. Mas, entre tantos títulos, talvez o que mais cobre resistência e força dela seja um outro não listado: o de mulher preta.

"Então, você que sempre teve homens jogados aos seus pés e fica pagando de vítima, você pode até ter um cabelo encrespado, mas a cor da sua pele coloca você em um lugar privilegiado"

Ouça também a faixa-poesia 'F.R.E.N.E.S.I.', de NegaFya com participação de Rilton Junior

A artista lançou o seu mais novo trabalho no último dia 17 de março. "Solidão da mulher preta" contou com a colaboração coletiva de outras mulheres negras na gravação do webvídeo. A direção é assinada por Fabíola Silva, com filmagem de Ana do Carmo e Julia Moraes, que também assina a edição final da faixa-poesia.

"Então, desgraça, largue desse vitimismo, desse falso discurso do feminismo, e fique na sua! Porque solidão e feminicídio quem sofre de verdade são as mulheres como eu, as mulheres estereotipadas com traços marcantes de negras das senzalas".

NegaFya lançou o webvídeo durante as comemorações de um ano do Slam das Minas - a festa ocorreu durante os dias 15, 16 e 17 de março de 2018. Idealizadora e produtora do evento, a artista sempre leva às suas apresentações de poesia denúncias contra as violências inerentes na nossa sociedade, como o racismo, machismo e o sexismo.

"Fique na sua e assuma seu privilégios e tente combate-los, mas não venha falar da solidão da mulher preta, porque você não tem direito!"



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