ROXOGG - Aurea Maria conta um pouco sobre seu primeiro 1º EP



Vinda de Cajazeiras Xl, Aurea Maria promete representar a cena do rap feminino de salvador em grande estilo. A Integrante do coletivo NaCalada, lançará em fevereiro seu primeiro Ep solo, o “ROXOGG”, que já esta sendo bastante comentado nas redes sociais.

Em conversa com o Rap071, ela contou sobre o seu contato com o Rap, o que ele representa, as suas referências e sobre a produção do seu primeiro Ep.

Confira a entrevista na íntegra:


  • Como começou o se envolver com o Rap?

- Eu sempre ouvi Rap. Escrevo desde cedo... Mas o meu contato direto foi quando recebi o convite de Mirapotira para ajudar ela no palco. Fazer refrão, peso, e ela sempre me incentivou a cantar minhas letras e tal.’’

  • O que o Rap representa para você?

- Resistência e vida! Somos marginalizados por não pensarmos igual ao restante do mundo, e com isso somos discriminados. Depois que eu comecei a cantar rap, as criticas sobre minha vida aumentaram, juntamente com a minha vontade de ganhar o mundo e viver.

  • E sobre as suas referências, quais são?

- Digo que até na musica minha maior referência é a minha mainha. Mas Eryka Badú, Tassia Reis, Dina Di, Lauren Hill, a própria Mirapotira, Camila CDD, as meninas do A’s Trinca, Atitude Feminina. Estou tomando um “mc revelação” muito foda chamado DJonga que ... Não sei nem falar sobre esse macho kkkk.

Gosto muito do Neto Síntese, Facção Central, Trilha Sonora do Gueto, MvBill, entre outros que que sempre ouço para escrever. Sou uma pessoa muito antiquada em relação a rap por ter seguido há muito tempo aquela parada underground nacional.

Tomo como referência também, o pessoal do meu coletivo [NaCalada], e muitos outros grupos do Rap.

  • Aproveitando a deixa, você citou alguns nomes femininos. Em relação à mulher no rap: a gente sabe que mesmo vivendo um momento em que há debates sobre feminismo e empoderamento feminino, as mulheres ainda são alvo do preconceito. Sendo assim, como você vê a cena do Rap para as mulheres, principalmente aqui em Salvador?

- Eu vejo como um momento bom. Por conta disso mesmo, da luta das mulheres pela sua posição. E esse é um dos temas que eu trago no meu Ep, tá ligado?! Essa é a melhor hora de meter a cara, resgatar nosso lugar, sabe?! Porque antes rolava muito mais preconceito do que agora. Digo por que vivi de longe, mas vivi.


  • E sobre o Coletivo NaCalada, qual a sua participação nele, quando vocês começaram?

- Bom, o NaCalada coletivo começou como o nome já diz: NaCalada. Um dos integrantes do N’Ativa teve a ideia de fazer um coletivo com alguns Mcs, aí me convidaram. Eu na primeira formação era a única menina, a única mulher a participar do coletivo e ano passado entrou a Débora Evequer, que é minha amigona, minha irmã. E a gente tá aí velho, tamo junto aí fazendo varias coisas. Vai sair uma mixtape agora depois do ROXOGG, a gente finalizou já a mixtape só falta lançar.


  • Conta sobre o seu Ep. Por que decidiu fazer um Ep solo? O que te motivou?

- Bom! Eu decidi fazer um Ep solo porque eu não tenho sons na rua, entendeu? Eu só tinha participações, tá ligado?! E o pessoal me cobrava muito e ainda me cobram, na verdade, os meus sons. Cadê seus sons? Que dia você vai soltar uma música solo? Porque eu tenho varias participações com vários Mcs. Eu tenho participação com Ltug, com Dezesseis Beats, MorangoM1, etc.


  • Qual a proposta do seu Ep? O que ele aborda?


- O Ep ROXOGG é o equilíbrio dos sentimentos que eu sinto, das coisas que eu passei e que eu passo da realidade da mulher preta, da realidade do povo preto. Eu inverto muito os papeis, entendeu.

A gente tem uma serie de Mcs que fala que mulher é isso e aquilo nos sons, e eu falo que eles são isso, são aquilo nos sons. Vão ter muitas pessoas achando meu Ep com ideias feministas, só que fora de cogitação, sabe?! Eu abraço a ideias feministas, mas não me considero uma por completa porque é uma fase de desconstrução. Não quero ser a mulher mais insuportável do mundo, não quero ser odiada por ninguém, mas eu falo sobre tudo no meu Ep. Tudo que você imaginar, eu falo. Tudo da mina realidade, tá ligado? O que eu passo.

Esse meu primeiro Ep, acho até que me precipitei um pouco por ele ser muito pessoal. Se você ouvir, você vai se identificar com algumas coisas que estão nele, mas você também vai ficar "boiando", porque foram paradas pessoais, paradas que ninguém sabe, mas que dá pra você sentir na pele o que foi, o que é, mais ou menos isso...

  • Como foi o processo de produção do Ep? E onde foi gravado?

- Digamos que foi suave. Recebi ajuda de algumas pessoas com o clipe, beat, e gravação. Ganhei tudo de presente, rs. Gravamos no NaCalada Rec.

  • Toda as letras vc escreveu ou teve participação de alguém?

- O Ep leva a participação de Indemar Nascimento, Sico (N'Ativa), e Débora Evequer.

  • E sobre o lançamento. Já tem alguma data?

- O Ep ele tem mês, que é Fevereiro, mas data, não. Ele já tá pronto, já está 98% finalizado, só falta mesmo uma participaçãozinha gravar que é a da minha irmã, mas fora isso já ta tudo prontinho, tudo engatilhado.

Eu vou lançar um clip dia 20 de janeiro, entendeu?! Já pra começar bem. O clip foi todo feito aqui em Cajazeiras XI, que é onde eu moro. No clip tem 4 pessoas, 4 mulheres comigo na contenção. E velho, o clip é bem underground, e ele é bem simples. Produção de Adriano, roteiro e tudo mais, assistência de Jeferson e Idevon , mas é isso!

  • Você participará de algum evento para divulgação do seu ep?

- Vou sim, dia 04 de fevereiro. Vou participar do Bang Doido, vou fazer a festa lá kkkkk.

Eu queria acrescentar que vocês ainda vão ouvir muito falar sobre o meu nome e o nome do meu coletivo!


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