"Quanto mais gente estiver fazendo produções dentro da cidade melhor"; veja entrevista com



Rangell Santana, conhecido como Mobbiu, tem um longo histórico na cena de Salvador. Ele é rapper, produtor e um dos principais empresários da cultura hip hop na Bahia ao levar as raízes negras para o vestuário com a marca Afreeka. Ele também já teve o selo independente Positivoz e o grupo de rap Versus2, ao lado de Coscarque.


Com um repertório de sobra, Mobbiu agora prefere focar no seu trabalho como empresário e rapper. Ele lançou no meio deste ano o volume um da mixtape “Por enquanto é isso”, ao lado do DJ Índio, que traz a participação de MCs de peso da cena soteropolitana e nacional, como: DaGanja, Ravi, Suburbano, Nanashara Vaz, DogaLove, Victor Xamã, Emicida, Nova Era, Shoes, Alvaro Réu, Dj Gug e Cintia Savoli.

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Ele conta que hoje prefere não se meter nas produções de eventos para permitir que outros organizadores consigam crescer suas produções sem que um acabe atrapalhando o outro. Ele cita alguns nomes que tem crescido na cidade, como Aquila Baleeiro, na BangDoido; Elvis Kaspa, com o Canal Dado; e a Nova Saga, com a Back to Back.


- “Hoje eu quero profissionalizar minha música. E eu quero que outros caras se tornem produtores grandes... Então quanto mais gente estiver fazer produções dentro da cidade melhor, mano. Para todo mundo, assim como os estúdios. Então, quanto mais gente estiver trabalhando, para mim vai ser massa, porque você descarrega varias funções que ficam nas mãos de um só”.

Mobbiu lembra que o movimento hip hop sempre sofreu dificuldades para conseguir se estruturar e fazer suas próprias produções. Ele pontua que o universo do Axé Music e do Pagode, que recebem um maior apelo da mídia e de patrocínio, é muito distante da realidade enfrentada pelo rap em Salvador.


- “A gente se acostumou mal a enfrentar tudo. Então a gente cresceu com a ideia de que a gente é dono de tudo nosso. A gente com pouco somos donos e tudo. Eu tenho minha loja, tenho meu selo... não digo que sou um artista independe, porque dependo de vocês (jornalistas), depende de um bocado de gente ao redor, inclusive do público, para fazer meu trabalho acontecer”.

Porém, hoje ele enxerga que um dos maiores entrave para novas produções culturais em Salvador está caindo: a indústria do Axé Music. Mobbiu pontua que não se trata das músicas e nem dos artistas, mas sim desse formato que os empresários construíram onde só o axé pode tocar e só o axé pode acontecer.

-“O próprio público baiano está começando a abrir a cabeça de que não existe só isso, não existe só o que a mídia mostra. Hoje, justamente por causa dessa questão da internet e das redes sociais, tá todo mundo divulgando seus trabalhos. Então o cara ouve ali no colégio, mano, fala para um, fala para outro. Você faz seu show e daqui a pouco seu show tem 300 pessoas e você pagou a continha”.

Mobbiu falou também da importância da formação de público dentro das comunidades e das escolas para o reconhecimento da cultura e o fortalecimento do movimento hip hop. Ele lembrou o projeto Conceito SSA nas Escolas, que é dirigido por Mr. Armeng e leva o ensino da cultura e história afro-brasileira às escolas públicas de Salvador.

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