Na luta contra o racismo e genocídio do povo negro, grupo Invasão lança a faixa "Favela Melada&


A relação do jovem Mário Mata, de 17 anos, com o rap não difere da maioria dos outros chegados ao movimento. Frequentava e disputava batalhas de freestyle, ouvia os clássicos do rap nacional e começou a trilhar o caminho para as composições, até criar o grupo Invasão, hoje composto por ele, VM e Mutano. A saga vem amadurecendo e rendendo frutos, como aconteceu na última quinta-feira (17), com o lançamento da música Favela Melada. "Eu tinha um projeto e um propósito de fazer uma música relatando a vivência do dia a dia da favela. E saiu o que saiu, né?!", comemora Mário. Ouça Favela Melada!


"Eu tinha que relatar o preconceito que ainda existe e mostrar a nossa revolta contra o sistema que transforma crianças em marginais. Sem falar na 'nossa' polícia, que mata preto por esporte"

A letra da faixa, tanto com o microfone na mão de VM, Mutano ou Mata, não deixa dúvida para quem quer entender o propósito da canção. Os relatos e denúncias remetem ao genocídio do povo negro, ao abuso de poder da Polícia Militar nas periferias e ao preconceito instaurado, que tenta diminuir a estima e significância da população oriunda dos bairros populares.

"Pele negra, cabelo duro / racista se apavoram

diz que eu mandei avisar que ser negro é muito foda"

"Os fardados bolados / na madruga estão sempre ativo

atrás dos ratos de rua pra fazer de aperitivo

mas quem boiar tá ligado que os homens não vai deixar quieto

e só quem pode dizer é quem já tomou encurralo da peto "

"Fuga no beco / sempre ligeiro contra a puta fardada de preto

mas é isso mesmo / neguinho inocente sempre é suspeito

nada vale mais do que o seu gueto"


Para a história de Mata à frente do grupo Invasão estar ainda mais em consonância com a labuta de quem faz rap, os afazeres da vida afastaram o cantor do movimento por um ano, mas voltou por influência de um amigo. "Ele me incentivou e inspirou a continuar no rap, até criarmos o Invasão", explica sem citar o nome do amigo. Após desavenças, a parceria entre os dois chegou ao fim e o seu antigo parceiro partiu em retirada do grupo.

Quem assina a produção da música é o coletivo Kzadavea REC, enquanto a gravação, mixagem e masterização ficaram por conta da Cativeiro Productions. Já a direção é autoria de Villain e Mário MP.


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