Em era de Bolsonaro, seremos resistência!



A história que crescemos ouvindo dos nossos antepassados, lá na época do Brasil colônia, e daqueles não tão mais velhos assim no Golpe Militar de 1964, nunca se fizeram tão reais nos dias atuais. É uma avalanche de volta ao passado sombrio, um retrocesso. Em era de Bolsonaro, seremos resistência!


Com o resultado das eleições de 2018, muitos comemoraram, mas para uma grande parcela esse foi só o começo de varias lutas que precisarão ser enfrentadas, fora aqueles passos já avançados que podem ser retrocedidos. Viver em uma democracia nem sempre favorece a todos. Eleito com 57,8 milhões de votos, Jair Bolsonaro, comandará durante quatro anos o Brasil, país esse que se fez livre da ditadura militar há 33 anos e está prestes a experimentar um pouco dessa realidade.


Discursos machistas, opressores e preconceituosos foram disseminados ao longo de sua carreira politica como, por exemplo, “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”, (frase dita em uma entrevista sobre homossexualidade à revista Playboy, em dezembro de 2011), e ganharam força durante sua campanha que, por sinal, foi marcada e determina pelo fenômeno das fake news.


Bolsonaro deu voz a outras pessoas que pensavam da mesma maneira e estavam apenas em busca de uma brecha para despejarem discursos de ódio. Os alvos são parecidos, quando não iguais, daqueles de Hittler na Alemanha: toda e qualquer pessoa que não se enquadrasse em suas ideologias ditatoriais e conservadoras. Na visão de Vandal, as pessoas estão vivendo em uma utopia líquida digital que vem moldando a noção de mundo real.


"Vamos parar de utopia e parar de acreditar em FANTOCHES da internet, em memes, por que a gente acreditou em memes e Bolsonaro foi eleito!" (Vandal)

Para a cultura hip hop, um movimento majoritariamente negro, uma das principais mudanças é a reforma trabalhista que leva o povo so colapso, esse que sempre lutou pra ter um lugar de destaque no mercado. Cortar esses direitos para gerar empregos é a mesma coisa de afirmar que a mão de obra será ainda mais desvalorizada. Já não bastavam as novas possibilidades de terceirização no setor público aprovada no Governo Temer?!


Vandal comenta também sobre as mudanças e os efeitos que a reforma trabalhista vão causar para os trabalhadores brasileiros, mas principalmente para os marginalizados. “As pessoas que possuem um poderio financeiro, o empresariado, vão vim de forma consistente e os direitos trabalhistas já não vão rolar”, ressaltou o rapper.



Além de Vandal, outros integrantes do movimento se posicionaram sobre assunto e declararam-se contrários ao novo governo, que aumentará o nível de desigualdades de classe, entre eles estão o MC Shook e a DJ Bruxa Braba.

"Estamos falando de uma classe operária trabalhando o dobro e, assim, uma classe média à alta em um patamar de poder." (Shook)

Para o MC Shook, as mudanças são nítidas e como sempre a população pobre e negra que sofrerá com as consequências. “Nesse novo governo, toda mudança é formada e formulada para que uma só parcela da sociedade do nosso país tenha o lucro".


Com um pensamento alinhado ao do cantor, a Dj Bruxa Braba explica que a cultura hip hop é negra, e desde mil e quinhentos anos atrás o povo negro sofre. É preciso arduamente conquistar os espaços, mas infelizmente são dez passos para frente e dois para trás.


“Bolsonaro é um ditador, um ex-militar opressor e têm ideologias que a gente não compactua. Se estava ruim, com certeza agora vai piorar. O povo preto sempre é atingido, mas a gente vai resistir como sempre fizemos." (Bruxa Braba)



O movimento Hip Hop sempre caminhou pelo correto: conscientizar o valor que a democracia tem para a construção de uma sociedade justa e igualitária, e não fecha com quem ameaça impugnar as urnas caso ele não seja o ganhador.


A oposição está, como nunca antes, unida. O ciberespaço possibilitou o fortalecimento de mentes e corpos que não compactuam com a corrente ideológica propagada por Jair Bolsonaro. Para os que não compactuam com o novo governo, esse é o momento de conscientização do poder de fala para que o que foi conquistado até aqui não seja roubado. Ainda há muito que conquistar, e o momento pede união. Afinal, a luta não é individual, ela é em grupo, e foi em grupo que nasceu o movimento Hip Hop.


A luta não cessou, ela apenas começou!



Hillary Marcele e Ane Catarine são estudantes de jornalismo e colaboradores do RAP071

Fotos: Vandal e Bruxa Braba (Ítalo André) / Shook (Hillary Marcele)

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