Em bela homenagem a Mestre Moa, artistas de peso cantam ao 'Moço Lindo do Badauê'



O afoxé, palavra de origem Iorubá que pode ser traduzida como "o enunciado que faz acontecer", representa uma manifestação da cultura afro nas ruas da cidade. Fundamentalmente ligado ao culto dos orixás, o afoxé criou raízes em diversos cantos de Salvador, e no Engenho Velho de Brotas não seria diferente. Foi lá, entre as décadas de 1970 e 1990, que o Mestre Moa do Katendê liderou a criação do Afoxé Badauê. Décadas depois, tentaram calar a voz do Mestre Moa, mas não conseguiram apagar a sua história.


"Quebra a tranca, destranca a rua, troca a demanda, liberta a mente/ Exu é a chave, abre os caminhos da gente", Nelson Maca.

Foi numa noite de primeiro turno das eleições gerais de 2018 que o capoeirista, percussionista e artesão Moa do Katendê foi assassinado vítima de 12 facadas. O crime aconteceu após uma discussão política com um eleitor de Jair Bolsonaro - então candidato que já havia afirmado que um grupo de "afrodescendente mais leve pesava sete arrobas" e posteriormente foi eleito presidente da república.



"Do lado de cá, poeira parece nunca vai abaixar/ E a capoeira se enluta mas luta, legado que o luto não vai apagar" Wallace Cardozo (WWL RAP).

A tragédia reforça uma luta que não surgiu ontem, nem hoje e que dificilmente se encerrará amanhã. Uma luta pela vida, pela voz, pela cultura e pelo respeito. Derrubaram Mestre Moa, mas os seus ensinamentos ainda continuam vivos e inspirando a resistência de quem sempre precisou ter pulso firme para batalhar.


"O meu mestre não foi culpa minha, vou ter que repetir a ladainha/ Covardia não se adivinha, vou revidar sem tirar a bainha", Rone Dumdum (Opanijé)


Mestre Moa segue presente e quem reforça isso, com todas as palavras, são outros pretos e pretas que sentiram a perda de mais um dos seus. Mas aqui, não vamos mais chamá-lo de Moa do Katendê, ele agora será chamado de: Moço Lindo do Badauê.


"Junto cristais que caem dos seus olhos, toco berimbaus aos nossos ancestrais/ Toco berimbaus contra o seu ódio, junto os cristais por justiça e paz", Aspri (RBF)

A música 'Moço Lindo do Badauê' representa um manifesto em defesa do povo preto. E quem canta e conta toda essa beleza do líder do Engenho Velho de Brotas é Nelson Maca, Wall Cardozo (WWL RAP), Aspri (RBF), Xarope MC e Lázaro Erê e Rone Dumdum (Opanijé).


"O fascismo não pode imperar, nosso povo não vai se calar/ Nós não temos as armas dos homens, mas temos o poder dos orixás", Xarope MC.

Lançada nesta quinta-feira (20/12), o clipe foi filmado Dique Pequeno, local onde o Moço Lindo do Badauê cresceu e sonhava em construir um espaço próprio. A faixa foi gravada no estúdio Aquahertz e conta com beat assinado por Dj Gug.


"Aqui, lá fora a honra e a glória é o que nós merecemos. Que os livros de história e a nossa história diga Mestre moa vencemos!", Lázaro Erê (Opanijé)



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