De dentro do gueto de Calabetão, Grafi MC lança o clipe de "Não Há Mais Saída"



A realidade de uma periferia soteropolitana é a mesma para muitos, mas poucos têm a oportunidade de falar ou expressar sobre essa vivência. A constatação foi feita por Grafi MC e é um dos principais fatores que motivaram o músico a compôr a faixa "Não Há Mais Nada", que volta à tona com o lançamento do seu clipe oficial há uma semana atrás (dia 8).

"Essa música mostra mais ou menos como se encontra o povo brasileiro: sem expectativa de melhoras", complementa Grafi. A letra fala também sobre o preconceito nas favelas do Brasil e das abordagens abusivas que a Polícia Militar realiza em regiões populares, especialmente aos negros.

"Não há mais saída / não há mais socorro / o povo pede por mais condições no morro"

Robson Barreto, o Grafi MC, tem 25 anos de idade e muita propriedade para contar o que relata nas letras de "Não Há Mais Nada". Além de rapper e morador do bairro Calabetão, onde o clipe foi gravado, Robson é grafiteiro e "arte educador" no próprio bairro, onde tenta apresentar a música e a arte como caminhos inspiradores para os jovens da comunidade.

E foi através de toda essa relação entre arte, periferia e cotidiano que nasceu a letra da canções mencionada. "Por volta das 5h da manhã, indo para o trabalho, observando as situações à nossa volta, tive a inspiração para escrever essa faixa", explica.

O músico, que integra os selos Otra Fita e Pelo Certo Records, conta também que o projeto ganhou corpo e vida após o envolvimento de King Daka e Servo Beats na produção do som. A áudio da faixa foi gravada no estúdio Terror da Leste (TDL), coordenado por King Daka, e o clipe, gravado em dois dias, teve a direção e roteiro assinado por Marcelo Marx e edição de Jader, no estúdio Pelo Certo Rec. Num futuro breve, “Não Há Mais Nada” irá fazer parte da primeira mixtape de Grafi, cujo nome resume duas, das suas principais paixões: “Do Spray ao Microfone”.


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