Daniel Ganjaman fala sobre produções baianas: "cena cultural extremamente rica"



Quando o assunto é produção musical, o nome de Daniel Ganjaman surge como um dos mais influentes no cenário do Rap Nacional. Entre os tantos discos com sua assinatura, alguns representaram uma importância imensurável para o ritmo no Brasil: ‘Rap é compromisso!’ (2001), de Sabotage; e ‘Nó na Orelha’ (2011), de Criolo. Sua carreira, que começou no Selo Instituto, reúne não só nomes do Rap, mas também de outros gêneros musicais.


Neste ano de 2016, o músico, arranjador e engenheiro de som foi responsável por alguns lançamentos de destaques e também de grande importância para a cena, como o disco póstumo ao rapper Sabotage. O álbum, lançado treze anos após a sua morte, reúne 11 faixas que foram captadas ainda em vida enquanto produzia ao lado de Ganjaman.

OUÇA O DISCO PÓSTUMO A SABOTAGE AQUI

O trabalho do produtor musical com o rap se dar principalmente pela ideologia do movimento hip hop. Daniel Ganjaman afirma que sempre trabalhou com projetos que dialogassem com suas opiniões e visões políticas. Inclusive, ele defende que o discurso politizado do movimento fortaleça os movimentos de resistências que têm ocorrido em todo o Brasil, a exemplo das ocupações das escolas contra a PEC 241.

-“O rap é um movimento muito de resistência e eu acho que a gente está vivendo um momento que precisa de polarização dessas resistências. Eu acho que aqui no Brasil a gente tem muita dificuldade em conseguir organizar a massa para revolucionar mesmo, para ter um olhar revolucionário. Então quando você tem pequenos focos desse tipo de postura e de atitude, esse pequenos focos vão começar a se juntar e aí sim virar alguma coisa com maior participação mesmo”.

"Aqui por exemplo, que tem uma cena cultural extremamente rica, fervescente. Aqui é berço, né velho. Salvador, Bahia, é um lance que é muito importante para a gente. Toda vez que a gente vem tocar aqui é um lance que é muito especial, muito forte".


Ganjaman afirma que atitudes, mesmo que pequenas, podem resultar em movimentações transformadoras se feita no dia a dia. Ele, que já assinou três discos de Criolo e acompanha o rapper nas turnês, disse que a sua afinidade com o rapper paulista se dá justamente por essa posição politizada do artista.

- “A gente vem tentando fazer tudo que é possível, que está em nosso alcance. A minha afinidade com o trabalho e Criolo vem muito por conta disso também. Não é apenas uma afinidade estética e musical, é também ideológica também e eu fico muito feliz em dividir esse momento com ele”.

Veja o último registro de Sabotage, gravada no estúdio de Daniel Ganjaman:


#Sabotage

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