Completando 17 anos da 'Roda de Break Independente', Ananias analisa cenário da dança em Salvador

Quando começou a movimentar rodas de break em Salvador, Ananias se virava e revirava para conseguir garantir um bom sistema de som. Afinal, uma boa roda de dança precisa de uma boa música tocando. De microsistem à caixa de som; de oito pilhas a uma bateria de carro; de mochila a carrinho de café. As tentativas foram muitas, até chegar ao verdadeiro Transforme que tem hoje. E é esse Transforme que abre a roda para a dança break invadir o dia a dia da cidade nas praças públicas.



À frente da Roda de Break Independente, que é realizada há mais de 17 anos em Salvador, Ananias se considera um verdadeiro Professor Pardal do break. Ele vivenciou a fase inicial do estilo na capital através dos Jackson Fivers do Pelourinho, do América Bahia da Praça da Sé, e do Primitivo do RAP do Centro. Essa experiência fez com que buscasse trazer organização e oportunidades para a dança.


"A Roda Independente surgiu com o olhar de que não e só dança, que tem algo a mais! Que a cena precisava de uma organização, um ponto de encontro, uma conversa. Eles nem sequer sabiam o que dançavam”, conta Ananias.


A Roda Independente acontecia todas as terças-feiras, durante 12 anos, na Praça da Sé. Agora o movimento ocorre de 15 em 15 dias. Ao lado de Thina Reis, Ananias organiza as rodas através da produtora Independente de Rua. O grupo é um dos principais responsáveis por realizar eventos de Breaking e Popping, além de outras modalidades ligadas ao Hip Hop e às danças de rua.



“O importante é reafirmar o ponto de encontro da cena do Hip Hop baiano e a dança de rua. Manter a essência da cultura, o contato com o outro, as relações em uma roda... você sente o público, a energia, a vibração de todos. Acontecem coisas que nunca mais irão acontecer, manobras e movimento... essa essência é um privilégio do Hip Hop, é o crescimento e, para muitos, o quinto elemento: o conhecimento”.

Para o público atual do Break em Salvador, Ananias cobra que se tenha mais “alma e sentimento” dos dançarinos. “Alguns pensam que são só os grandes campeonatos e batalhas que importam. Se iludem querendo ser o melhor, sair da cidade, e nem tem base firme na cena”, critica. Para ele, é importante que mantenham sempre a dança break ligada à cultura Hip Hop e saibam valorizar todos os resultados positivos, por menores que eles sejam.



“Para 2019 uso o lema da Zulu Nation: Paz, amor, união e diversão”, finaliza Ananias.


Confira um pouco do que foi edição de 17 anos da Roda de Break Independente, realizada no dia 18 de dezembro de 2018:



© 2018 - RapZeroSeteUm - Todos os direitos reservados