Bruxos do 71 encabeçam a primeira cypher do projeto Engenho Lírico; saiba mais na entrevista



A quantidade e representatividade das batalhas, coletivos e bancas de rap existentes na Bahia, principalmente em Salvador, refletem o quão forte é o movimento hip hop local. O Engenho Lírico é um deles, e o coletivo de arte e poesia resgatou um projeto antigo - atual Bruxos do 71 - que tem como objetivo juntar talentos ou, ainda melhor, juntar artistas, sendo eles de grupos ou artistas solos, para criar uma sequência de cypher's.


O projeto


Mc Luke (artista do coletivo Engenho Lírico), Vitor Carvalho ( produtor visual) e JayA Luuck (integrante da banca OtraFita) são os responsáveis pelo projeto. Em entrevista ao Rap071, os mc’s Luke e JayA contam como foi a produção do projeto e a execução da primeira faixa, intitulada ‘Sorte em Dobro’.


Rap071: Como surgiu o projeto?


JayA: Eu fui convidado por Luke para participar. A princípio ele me explicou como iria funcionar. Soube que o principal objetivo do projeto era fazer um som que unisse bancas diferentes de Salvador. Eu achei foda,topei.


Rap071: Vocês se inspiraram em outros projetos?


JayA: A torre cypher, projeto da Batalha da Torre, foi um incentivo grande para a gente tirar o Bruxos do 71 do papel. Vimos o reconhecimento, a valorização do trampo, as visualizações…Luke me chamou e fomos atrás para tornar real. Fizemos corre de poesia para levantar uma grana para a gravação e o beatmaker a gente usou as redes sociais para perguntar se algum especialista teria interesse em fazer parceria com a gente ‘pra fechar junto com o beat’, daí chegou o Jovem Black e mandou um beat pra nós.

Rap071: Como foi a escolha do nome?


Luke: A escolha do nome foi meio que uma síntese. ‘Tem o seriado do Chaves, sabe?’ Lá tem a bruxa do 71 e no futebol quem é conhecido como bruxo é o Ronaldinho Gaúcho, o especialista da caneta, um drible do futebol. Eu considero os MC’s da Bahia especialistas na caneta. Foi dessas relações que surgiu a ideia de colocar o nome do projeto BRUXOS DO 71.


‘Sorte em Dobro’


Rap071: Qual foi o critério para a seleção dos Mc’s?


Luke: A princípio selecionar mcs cria de batalha para mostrar a união, antes de tudo, da cena freestyle BA. Logo depois, com a ajuda de JayA, selecionei três mcs de bancas diferentes. Eu e o JayA também participamos da cypher que conta, portanto, com cinco mcs. Os selecionados foram: DZK (Ativa071), Bert ( mc da primitive), Lucke (engenho lírico), JayA (Otrafita) e Fiae$ (RCA)


Rap071: Como foi o processo de execução?


Luke: 70% da música foi escrita no estúdio, todo mundo junto, minutos antes de gravar, o que facilitou o trabalho em equipe. O legal de escrever geral junto foi o dinamismo, enquanto um ia escrevendo uma coisa já dá pra mandar uma referência coerente já que a gente não estabeleceu um tema para a cypher. Todos mc’s escreveram .Não dá para deixar de falar do Jxvem Blvk que chegou com o beat. O beatmaker fez toda diferença.

JayA: Temos que falar também do trabalho audiovisual de Vitor Carvalho (DuBlack Filmes) que mesmo com o pouco tempo para gravar o videoclipe fez um trabalho muito massa. Todos os envolvidos, a gente conseguiu deixar a música mil grau próxima da perfeição.


Rap071: Quem escolheu o nome da música?


Luke: A ideia foi do Mc Fiae$ que quando estávamos escrevendo a letra ele percebeu que tinham dois ‘Luck’ na faixa: eu e o JayA Luuck. Luck significa sorte em inglês, daí ele fez a ponte.


Rap071: Como foi a experiência de fazer um som com artistas de diferentes vertentes?


JayA: Foi um bagulho mágico, sacou? Uma parada construtiva. Todos os mcs são de linhas, pegadas de rimas diferentes da minha e, até mesmo, a lírica é distinta. Quando juntou a vivência, a singularidade de cada mc eu percebi que esse estilo de projeto vem para somar. Foi uma troca sincera de conhecimentos.

Por Ane Catarine, estudante de jornalismo e colaboradora do RAP071

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