Bruxas lendárias chegam para ficar: Coletivo Vira-Lata segue em mudanças e progresso

Atualizado: 24 de Ago de 2018


O Coletivo Vira-Lata, grupo de arte e poesia formado pelas poetisas e Mcs DelaRua, Elana, Suja, Sophia, e a mais nova integrante, DJ DMT, é um “grito de mulheres para outras mulheres”, como afirma Pollyana Menezes, a Suja. O grupo pensa em revolucionar a cena do rap, mas antes dessa hora chegar, o público pode esperar por alguns lançamentos.


Quem é o Coletivo Vira-Lata?


“Mulheres que correm com os lobos, que precisam de mais mulheres para se juntar a nossa matilha,” denomina Suja.


O coletivo nasceu a partir da inquietação da poetisa e beatmaker Elana Cristina, sobre a cena do rap de Salvador ser masculina demais. Há pouco mais de um ano, o time começava em um grupo de WhatsApp afim de fazer um coletivo de mulheres para produzir

e impulsionar outras, o que resultou no Vira-Lata, a junção de mulheres artistas que vem ocupando espaço no rap baiano.


“Viemos para tomar um espaço que é nosso por direito na cena, porque não é só homem, mulher tem muita ideia pra dar,” afirma DelaRua. Dentre as iniciativas independentes das organizadas, destaca-se a Batalha das Bruxas, que é uma batalha de mc´s direcionada a mulheres.

Vem coisa nova por aí


Agora, com a nova formação, o Vira-Lata entra em uma fase de alta produtividade. “Nós nunca tivemos oportunidade de estar tocando com uma DJ nossa, que faça parte do grupo, e isso altera todo o curso de apresentação e produção. Está vindo muita coisa nova,” conta Suja, comentando sobre a chegada de DMT ao bonde.


E é possível perceber que a DJ e grafiteira tem a admiração do coletivo que está se

propondo a fazer parte. “DMT é uma dessas mulheres que correm com os lobos, e está chegando na família Vira-Lata para fortalecer e para que nosso som possa sair com uma melhor qualidade”, finaliza Pollyana Menezes (Suja).



“Entrar no Coletivo Vira-Lata para mim significa eu me reconhecer em outras mulheres que estão no mesmo corre que eu, que é o corre do rap. Eu tenho já uma caminhada no hip-hop antes do coletivo, e a gente se juntou muito pelo reconhecimento, para além do discurso, de que nós somos mulheres nesse corre, e que só juntas a gente tem mais força,” divide a DJ, Deméter Gramacho (DMT).

Citando Brena Èlen, do Visioonarias, Pollyana Menezes também compartilhou que o próximo lançamento do Coletivo é um culto. O clipe de Bruxas Lendárias está em finalização e será lançado no canal da banca a qual o grupo faz parte, Lápide Records.


Ainda contando sobre as novidades, Suja falou sobre o feat que o grupo gravou com a qual considera ser dona do maior facão do rap soteropolitano. “Amanda Rosa é uma piveta que está no corre a muito tempo, com muita vivência e muita referência, e nós tivemos a oportunidade de fazer uma faixa com ela. É um trap, de Pedro Beats.” Ainda contou com exclusividade que a pretensão é que o clipe seja gravado na Chapada.


Conhecidas pela Batalha que demarca o grupo e a busca por espaço para as mulheres na cena, a Batalha das Bruxas, o coletivo está se programando para ampliar a perspectiva. Com a parceria de Mirapotira, que tem alguns anos a mais de rap do que as integrantes do Coletivo, a próxima edição da batalha será para lançar garotas que fizeram parte da oficina de rima realizada por elas.


A próxima edição também estará trazendo as boas novas do 1º EP, que está sendo produzido com várias parcerias, como Cronista do Morro, Diana e Damiana, Roupa Suja e Pedro Beat.


A importância de ocupar


“A relação com as mulheres é complicada. Por mais que haja divulgação, elas sempre se intimidam em ocupar o local de fala disposto a elas dentro das batalhas de rap”, ressalta Elana, quando analisa os fatores a serem superados na cena.


“Na primeira edição da Batalha das Bruxas houveram 6 representantes para batalhar, onde deveriam ser 8, na segunda edição a mesma coisa e na terceira edição não rolou a batalha pois faltou mulher para batalhar”, ressaltou.

"O caso é que isso é um reflexo de toda uma estrutura machista e não é algo que se muda de uma hora pra outra, mas é importante haver a batalha, independente de quantas mulheres batalham, porque isso já é uma forma de combater a estrutura" (Elana Christini - Coletivo Vira Lata)


Assista o último lançamento do Vira-Lata,que abre caminhos para a revolução vira-lata que está por vir. O trampo solo de Sophia, “Poesia de Uma Vira-Lata.”


Beatriz Almeida - Equipe RAP071

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