"As minas tão rimando e os macho paga pau, as minas no nacional"

Atualizado: 4 de Jun de 2019

As mulheres estão invadindo os espaços de batalha e querem chegar na nacional. A única batalha de rima produzidas e protagonizadas por mulheres em Salvador, a Batalha das Bruxas, está dentro do circuito que projeta Mcs para o Duelo Nacional de MCs. Além disso, todas as batalhas do que levam ao Nacional possuem 4 vagas especialmente para mulheres.


A partir da movimentação que vem sendo feita pela união de mulheres da cena, através da Coletiva Armina, o circuito 3º Round, a representação na Bahia do Duelo Nacional organizado pelo Família de Rua, buscou incluir a Batalha das Bruxas no ciclo de batalhas que qualificam para a nacional. Dentre elas estão Batalha do Dendê, Batalha da Torre, Batalha do Trem Bala e 3º Round, que possuem vagas reservadas a mulheres Mcs.


André Cosca, historiador da cultura HipHop e organizador do circuito, contou que percebeu que já tinha uma cena ativa, onde as MCs estavam organizando uma cena forte e a partir disso resolveu fazer o convite para a Batalha das Bruxas ser parte do Circuito de Rima Improvisada 2019. “O 3° ROUND, desde a sua primeira edição, em 2013, já tinha esse formato que busca essa inclusão e já tinha a Mirapotora, Muza Mariano e Estrela, a MC Priscila fazendo parte de toda essa história do freestyle em Salvador e Bahia”, relata o realizador.


Foto: @rima_foto em edição do 3º Round


Batalha que não cola Barbie, muito menos Xuxa


A Batalha das Bruxas está acontecendo dentro de um processo de incentivo e formação de mulheres que têm desejo de batalhar, mas por diversos motivos, não tomavam a iniciativa. Em concomitância com a realização das batalhas, que acontecem aos domingos, a coletiva promoveu oficinas de rima, às quartas-feiras, de forma que as mulheres se conhecem, rimam entre si e se sentem seguras, para então batalhar. Aos domingo DJ DMT e DJ Belle comandam a mesa de som e dão o compasso da batalha e da discotecagem.


“Tem meninas de todos os cantos da cidade, que frequentam batalhas nos seus bairros, batalhando ou não. Elas têm vindo muito por conta da oficina, porque é um espaço seguro, inclusive tem piveta que rima aqui pela primeira vez na frente de outras pessoas. As oficinas são um plano antigo que só conseguimos concretizar agora, com a coletiva”, conta a Mc e idealizadora da batalha, Suja (Pollyana Menezes).


Foto: Andreza Mona na Oficina de Rima Improvisada

A batalha surge em 2017, pela organização do Coletivo Vira-Lata, que realizou 3 edições da atividade. Agora, a batalha retorna a ativa pelas mãos de mais mulheres, colocando em prática ideias que já rodeavam o imaginário das idealizadoras Pollyana Menezes (Suja), Victória Campos (DelaRua) e Elana Cristhine (LaEla).


“Era muito difícil fazer com que as meninas batalhassem. No início era muito mais as meninas que estavam próximas ao Vira Lata, que faziam parte, que se inscreviam. Inclusive algumas edições não aconteciam porque não tinham inscritas o suficiente”, relembra Suja.

O historiador da cena, Cosca, percebe como é importante esse processo de base que o Coletivo Armininas têm realizado. “Lembra muito na sua essência o formato das poses de HipHop que existiam aqui na Bahia, onde se trabalhavam toda essa questão de conhecimento e debatia ideias além da representação artística dos quatro elementos do HipHop”, reflete.


Fazendo rupturas no rap baiano


Percebemos uma grande lacuna dentro da cena undergroud, sobretudo do rap, de espaços formativos e espaços formativos com grande presença feminina. A Coletiva Arminina tem conseguido fazer algo diferente de tudo que vem sendo construído na cena local, unindo mulheres que vivem a cena, independente de brigas e mal entendidos, para aprender e trocar entre si, sobre o HipHop e muito mais.


Foto: Beatriz Almeida na 1ª Qualificatória Batalha das Bruxas


É um espaço propositivo onde as crianças, as manas gay e todo mundo se sente a vontade a estar, rimar e se colocar. Tudo isso tem acontecido no Espaço Cultural D IDEIA, um grande parceiro que acreditou no sonho coletivo dessas mulheres que correm com os lobos.


Pollyana Menezes, Amanda Rosa, Riza Martins, Ludmila Singa, Vitória Vizy, Adriele Bidi, Tamires Almeida, Babi Felina, Andreza Mona, Karen Má Reputação, Kainná Tawa, Deméter Dmt e outras que tem construído esse momento histórico para o HipHop e para as mulheres do HipHop, além dessa que aqui vos escreve, Beatriz Almeida.


“A nossa expectativa é conseguir colocar uma representante mulher na nacional, porque poucas vezes isso aconteceu, uma delas foi MiraPotira. Então esperamos fomentar nas pivetas o desejo de ocupar esse espaço, e realmente ocupa-lo”, finaliza Suja.

Com o grito de guerra já tradicional, a batalha está chegando na sua 3ª edição, de 4 desta temporada.


AS MINA TÃO RIMANDO

E OS MACHO PAGA PAU

AS MINA NO NACIONAL

AS MINA NO NACIONAL



Foto: Anreza Mona na 1ª Qualificatória Batalha das Bruxas

Caminho até o Duelo Nacional


O processo rumo ao Duelo Nacional de Mcs começou em abril, e com o lançamento da campanha, dando início, então, as qualificatórias nas batalhas residentes. As/os Mcs ganhadores das qualificatórias duelam na Pré Seletiva para pleitear vagas para a seletiva estadual. Depois da seletiva estadual, partimos para a eliminatória de grupo, onde se encontram Bahia, Alagoas e Sergipe. Esse ano a eliminatória de grupo será em Maceió/AL, onde serão retirados os nomes que vão para o nacional, que acontece entre 14 e 15 de dezembro, em Belo Horizonte.


Leia mais: Só tem medo quem tá sozinho(a): coletivo de mulheres Arminina


SERVIÇO:


O QUE: Batalha das Bruxas

QUANDO: Domingo | 09 de junho |

ONDE: Espaço Cultural D IDEIA, Rua do Passo

HORÁRIO: A partir das 15h

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